Especialista revela aumento no número de casos de autismo nas últimas décadas

A neuropsicóloga francesa Bernadette Rogé revelou nesta quarta-feira (26), em audiência pública no Senado, que a incidência do autismo na população tem registrado grande aumento nos últimos 50 anos. Segundo ela, estudos epidemiológicos mostram que essa taxa saltou de 1 caso em cada grupo de 2 mil pessoas, em 1960, para 1 em 150, mais recentemente. Para a especialista, os números podem ser explicados, em parte, pela expansão do conceito do transtorno, por métodos de rastreio mais refinados e por profissionais mais bem treinados para identificar os sinais. Ela não descartou, no entanto, que as estatísticas estejam refletindo um aumento real na prevalência.

Bernadette Rogé destacou estudos à base de imagens que permitiram avanços no conhecimento da morfologia e funcionamento do cérebro de pessoas com autismo. As pesquisas mostram, por exemplo, alterações na distribuição da massa cinzenta e de substâncias em áreas identificadas como o “cérebro social”, ativadas quando a pessoa se envolve em interações sociais. Anomalias na mesma região dificultariam a perfeita identificação da voz humana, “tratada como qualquer outro som”.

Ela ressaltou a importância de diagnóstico precoce e imediato início de intervenções para favorecer o desenvolvimento do autista, além da necessidade de suporte aos pais. Sobre tratamentos, citou a prescrição de melatonina para ajudar a controlar distúrbios do sono e também da ocitocina, que ativa ligação hormonal estimuladora da confiança para interações sociais.

O autismo surge na infância e se caracteriza pela dificuldade de interação social, problemas de comunicação e comportamentos repetitivos. Atualmente, o transtorno é reconhecido como parte de um espectro de doenças, que variam de problemas brandos a graves, inclusive com a presença de retardo mental, como explicou Bernadette Rogé.

A audiência pública de ontem foi promovida em conjunto pelas Comissões de Assuntos Sociais (CAS), Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e Educação, Cultura e Esportes (CE). O debate fez parte da sétima edição da Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz, promovida pelo Senado. O tema do evento este ano é “Neurociências e educação na primeira infância: progressos e obstáculos”.

Um dos propositores do debate, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), que preside a CE e também dirigiu os trabalhos, ressaltou a necessidade de se debater a primeira infância com especialistas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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